As últimas previsões do Banco de Portugal sobre o credito não são nada animadoras para os bancos.
Por muito que se critiquem os bancos por apertarem o cerco a particulares e empresas no que respeita à concessão de crédito empresarial ou credito pessoal, as contas de 2009 da maioria dos bancos devem reflectir em 2009, valores mais elevados de crédito malparado do que em 2008.
Segundo as estimativas do Banco de Portugal e entretanto publicadas no relatório de Estabilidade Financeira, o incumprimento no crédito em Portugal vai bater todos os recordes este ano, superando os valores evidenciados em 2003, ano em que a recessão sentida dificultou o cumprimento dos financiamentos bancários por parte de empresas e particulares.
A crise económica está a dificultar a vida a numerosas famílias, assoladas pelo desemprego e pela precariedade do emprego.
As estimativas para as taxas de desemprego são nefastas para a economia portuguesa, o que perspectiva o avolumar de situações de incumprimento por parte das famílias.
Na economia tudo está interligado, assim quanto maior for o desemprego, maior serão as dificuldades sentidas por empresas e particulares em cumprirem com as suas responsabilidades perante a Banca. O consumo tem vindo a diminuir, o que face à actual conjuntura, vai continuar a travar produção e vendas na generalidade das empresas. É um ciclo vicioso difícil de quebrar.
Relembra-se que o Estado concede uma moratória a taxas de juro bastante atractivas para o crédito à habitação pelo período de 2 anos para as famílias que estejam a viver situações de desemprego, no entanto, as dificuldades são cada vez maiores o que colocará o crédito mal parado em 2009 em montantes bastante elevados.
As empresas que estão equilibradas também têm tido muitos apoios do Estado. As restantes empresas terão, à partida, os dias contados. Dificilmente conseguirão sobreviver a esta crise.
Por outro lado o Ministro das Finanças já alertou que não há perdões fiscais e as empresas que estão moribundas não encontrarão no Estado a tábua de salvação.
Neste contexto, muitas mais empresas abrirão falência em 2009, o que irá aumentar ainda mais o nível do desemprego e consequentemente o agudizar da crise.
O sector financeiro que despoletou a actual crise que se vive, não permanecerá impune neste processo. Os bancos na sua generalidade podem aguardar registos de valores ímpares na rubrica de crédito malparado nas suas contas de 2009…